Teatro em Miniatura

Tiago Almeida
Grupo Girino Teatro de Animação

O Teatro em Miniatura é uma das várias manifestações das quais se constituem o Teatro de Animação Contemporâneo. Está relacionado às proporções cênicas reduzidas e, ao mesmo tempo, estabelece uma relação mais intimista com o público. São espetáculos de curta duração e acontece para poucos ou apenas um espectador de cada vez.

Historicamente,  pouco se sabe sobre a utilização de bonecos em pequenos formatos como uma manifestação teatral. Segundo Darci Kusano, em “Os Teatros Bunraku e Kabuki: uma visada barroca“, no Japão do século XIV existiram os chamado Ebisu-kaki (“carregadores do deus Ebisu”) onde manipuladores de bonecos faziam apresentações sobre as lendas de Ebisu-gami, um dos sete deuses da boa fortuna. Os Ebisu-kaki carregavam uma caixa, sustentada na altura dos ombros, por meio de uma tira de pano envolvida ao redor do pescoço. Essa caixa funcionava como uma espécie de palco suspenso e suas dimensões aproximadas atingiam cerca de quarenta centímetros quadrados, de modo que a manipulação dos bonecos se dava por baixo da caixa com os manipuladores ocultando suas mãos.

Nos séculos XVIII e XIX o chamado Teatro de Papel se tornou popular, principalmente com os presépios de papel, os desdobráveis e as pequenas caixas panorâmicas de cartão. Originalmente o Teatro de Papel surge como forma de representação figurativa de espetáculos e teatros célebres que ganharam notoriedade no final da Idade Moderna. Segundo Dorothea Reichelt:

Teatro de Papel, no sentido restrito do termo, deve ser interpretado como um fruto típico da época romântica. Teve na sua origem a grande paixão pelo teatro sentida pela alta burguesia no séc. XIX, e servia para reproduzir no seio das famílias as peças de teatro célebres e que tinham tido sucesso nos grandes palcos, e também para as tornar acessíveis e visíveis às crianças.

No Brasil, espetáculos que acontecem dentro de caixas são conhecidos como Teatro de Caixas ou Teatro Lambe Lambe, uma referência aos fotógrafos de rua que trabalhavam em praças e parques de várias cidades do Brasil no início do século XX. Originalmente, estes fotógrafos utilizavam máquinas, em forma de caixa, onde o processo de revelação consistia em lamber o negativo.

Assim, o Teatro de Lambe Lambe é uma experiência que acontece em um invólucro, um mini teatro para um único espectador. Através de um furo, o público pode experimentar a confidência de um mundo paralelo, uma experiência imagética e poética. Tornando possível, de maneira simples e breve, transpor a realidade cotidiana para um universo metafórico, imaginado. Olhar por uma pequena janela, adentrar a caixa, um encontro com o interno, revelação do que está apropriadamente guardado, um segredo compartilhado.

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